O desejo e a posse


Considerando que ninguém deseja o que já possui, podemos discernir a realidade de que só valorizamos as coisas, enquanto pretendemos conquistá-las.

O desejo é o dispositivo que aciona o ego mecanismo que nos leva a construir o mundo ideal.
Doutra forma, bastaria possuir os bens no pensamento; sem precisar empreender o esforço de adquiri-los.

As coisas mais desejadas não são as mais saborosas, porém as mais atraentes, incluindo-se a beleza da mulher.

Enquanto para saborear precisamos possuir, para contemplar só precisamos sentir a atração!
O sentimento de felicidade ao contemplar a beleza do mundo independe de se possuir as coisas.

Ou essa felicidade seria tão efêmera quanto seja o tempo que precede o ato de adquirir.
Embora sua casa possa conter objetos muito atraentes, você equivocadamente desejará ainda mais os bens alheios, incluindo as tentações das vitrines.

Essas noções nos levam a considerar que sempre nos foi possível dispor de um mundo que é muito bonito, cheio de coisas fascinantes e que é todo nosso.

Temos as florestas verdejantes, temos o infinito céu estrelado, temos o sol e a chuva; sim, temos aquecimento, luz e água livres; temos o mar imenso, com suas extensas praias.
Esses tesouros são meus, são seus e são de todos aqueles que sabem considerar as riquezas que lhes são franqueadas.

Não precisamos trabalhar a vida toda para adquiri-los, pois quando uma coisa passa a ser somente nossa, ela perde seu sentido mais encantador que é a agradável sensação da conquista.

DO MEU PENSAR MAIS PROPENSO,
NÃO SÓ O MAIS INTENSO,
VEM TAMBÉM O QUE NÃO PENSO.

INFINITO TÃO EXTENSO,
MEU PENSAR É MAIS CONSENSO,
INDA MAIOR O QUE PENSO.

CONTEMPLANDO NÃO CONFUNDO,
VEJO TUDO NESSE MUNDO.
DO MEU PENSAR MAIS PROFUNDO,
É MEU SABER ORIUNDO.

EM MEU NEGAR MAIS PUNGENTE,
NEGO COISAS, NEGO GENTE.
NEGO QUERER TÃO PREMENTE,
NEGO QUE QUERO, SOMENTE.


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