Óh, sublime divindade.
Posto que a nós os humanos, não cabe sequer a intenção de censurar-vos; entendemos pois, nossa incapacidade em compreender: por quê a tantos prodigalizas a estupidez, enquanto a poucos, desse predicado a escassez.
Filosofia - Epistemologia.
Textos de autoria de L. S. Amorim.
Filósofo Epistemólogo - graduado pela PUC RIO
A relatividade de uma verdade efetiva e a efetividade de uma falsidade relativa - em filosofia.
Um soldado veterano para um aventureiro:
no final da guerra, meu comandante reuniu muitas peças de ouro saqueadas das cidades vencidas e as fundiu em uma única barra, tendo me ordenado a ajudá-lo a transportá-la num veículo militar através das inóspitas areias do deserto.
Ainda muito longe de casa e já sem combustível, abandonamos o veículo, ocultamos a barra de ouro na areia e elaboramos um minucioso mapa do local.
Caminhamos por muito tempo, mas o velho comandante não resistiu à jornada e eu cheguei em casa sozinho, trazendo o mapa.
Se você aceitar, podemos voltar ao deserto e recuperar a barra de ouro, nas seguintes condições:
darei uma cópia fiel do mapa e lhe levarei ao local, onde escavaremos a areia até encontrar a barra de ouro. Quem encontrá-la primeiro será o dono incontestável do tesouro.
Fizeram o pacto e foram para o deserto, onde começaram a escavar a areia. O veterano reencontrou a barra de ouro más, avaliando a dificuldade de carregá-la sozinho, manteve sigilo e propôs ao aventureiro: ouça, como a barra é muito pesada e ficaria penoso para um de nós levá-la sozinho, não seria melhor carregá-la juntos, e dividir seu valor pelos dois?
O aventureiro considerando que assim seria lesado caso encontrasse primeiro, retrucou protestando:
Não, trato é trato. Quem achar primeiro é dono!
O veterano calou-se e deixou o aventureiro continuar procurando, até gritar: Achei e é somente minha! Logo preparou algumas alças com a corda que havia levado, e cavando um fosso na areia junto a barra ainda semi-encoberta, ajoelhou-se no fundo do fosso, ajustou as alças, e ergueu-se com a pesada barra de ouro pendente dos ombros e apoiada às costas. Dirigiu-se sofregamente rumo à Cidade, sem dirigir uma única palavra ao veterano, que o seguiu com passos comedidos.
Caminharam, caminharam, caminharam até que o aventureiro faminto, sedento e exausto, caiu sobre a areia inclemente, e faleceu por inanição a uma distância da cidade, compatível com a escassa reserva de energia do veterano, que até ali tinha viajado sem sobrecarga.
No campo dos confrontos,
uma verdade se torna tão preciosa,
que precisa ser protegida
por uma legião de mentiras.
W. Churchill.
Conhecerás a verdade,
e a verdade vos salvará.
Jesus Cristo.
O sorriso do Poeta.
- De como a filosofia vê a poesia e o mito -
No Homem, todo vislumbre onírico está sujeito à vigília dos deuses, com surpreendente exceção da poesia. Só o poeta está livre. Os deuses vêem a poesia e o riso como únicas flechas humanas capazes de atingi-los. Em sua divina abstração, eles não aceitam o estado etéreo dos espíritos livres, visto que esse estado se assemelha ao abstrato.
Subtraindo calor do plasma primordial, os deuses solidificam os seres etéreos; e a cada porção dessa matéria amorfa, corresponderão os corpos cuja tangibilidade os torna manipuláveis pelos deuses. Se quereis atingir um ser etéreo, fazei-o enquanto ele permeia um corpo vivo, pois é na vulnerabilidade do vivente que a vida se deixa afetar.
Por meio dessa semeadura de vida em corpos físicos os deuses logram colher obediência, visto que enquanto materializada no corpo tangível a Vida tende a obedecer, e submete-se aos rigores da existência, vivenciando o que chamamos de destino, imposto implacavelmente pelos deuses.
Para angariar a cumplicidade do vivente no esforço de sustentação da vida, os deuses teriam concebido a juventude, a saúde, a beleza, a riqueza, a sabedoria e a disponibilidade do tempo. Mas os concedem tão sutilmente separados que tornam impossível obte-los simultaneamente, nessa quimera chamada felicidade. “Perder uma luva é uma dor profunda! Mas não se compara com a dor pungente, de se perder uma luva, jogar a outra fora, e achar a primeira novamente”. É justamente a essa intangibilidade da felicidade que Sileno se refere quando defrontado por Midas:
A mitologia, antecessora do conhecimento científico, propunha uma conclusão para cada dilema; e para explicar o conflito paradoxal daquele que nada tem, por querer tudo que pode, teria engendrado o mito do rei Midas, aquele alquimista mor que transformava em ouro tudo que tocava.
Por não saber como tirar felicidade de seu dom, o rei resolveu consultar o sábio deus silvestre Sileno, preceptor do deus Dioniso e mentor de deuses, reis e heróis. Midas já sabia que devido à importância de Sileno enquanto consultor, a duração de sua breve aparição era sempre proporcional ao nível de sabedoria do consulente.
Defrontado com o magnífico mentor, Midas indaga incontinente: Diga-me mestre, qual para o homem é o maior dos bens? De si para si, Sileno reflete rápido: - até Midas, esse que tudo tem, ainda procurando a felicidade? Resoluto, profere a terrível sentença: - “Ó raça de efêmeros farsantes; por que perguntais justamente o que não gostaríeis de ouvir? Então não sabeis que para o homem o maior dos bens é não ter nascido? Todavia, o segundo maior bem ainda podeis alcançar, no pronto perecer!”.
Mas Sileno, embora habituado a observar a soberana mão de ferro com que Zeus poderoso trata os mortais, não poderia avaliar a possibilidade de surgimento das "flores do mal": de tão manobrada pelos deuses plenipotentes no mister de impor seus desígnios, a alma humana teria assumido tal estado de plasticidade que lhe possibilita escapar por entre os dedos soberanos e, homericamente, impor aos deuses a problemática resolutiva dos dramáticos conflitos humanos.
É o que podemos observar quando o poeta consegue levar os deuses a compartilhar o nosso destino. No canto XVI da Ilíada, podemos ver como Zeus se aflige ao contemplar o destino trágico de Sarpédone: - “Pobre de mim! O Destino asselou que o mais caro dos homens, o meu Sarpédone, tombe hoje aos golpes de Pátroclo exímio. O coração, sinto agora, indeciso entre dois pensamentos: levá-lo-ei para longe da pugna lugente, e o coloco neste momento, com vida, entre o povo opulento dos Lícios, ou deixarei que do vigor lhe despoje o viril Menecíada?”.
Poderíamos tomar a poesia como uma ponte entre as trevas da submissão e o fulgor da divindade? O poeta enquanto construtor de pontes fica sob a mira dos deuses e, como se para aplacar-lhes a fúria, tal o faz magistralmente Fernando Pessoa: "chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente".
Os deuses bem o sabem quão terrível é a missão que legaram aos humanos e, por isso mesmo, agraciaram-nos com a temerária arma do riso; tão perigoso que eles mesmos quase não o utilizam. A faculdade do riso, pertencente aos deuses e cedida somente aos humanos, condicionalmente; dependendo do critério de emprego, pode denotar nobreza como o faz o riso complacente ou solidário, ou torpeza como o faz o riso ignominioso.
Como os deuses não carecem de nobreza e repudiam a torpeza, embora tolerem que o poeta a eles se dirija por meio da poesia, não admitem que o ridente ouse apontar sua ínfima seta do riso contra o Olimpo, sob pena de ser fulminado pela hefésticaRelativo a Hefesto, o armeiro dos deuses. Ele fez o escudo de Zeus, arco e flecha de Apolo e a armadura de Aquiles. flecha argentaFeita de prata. de Apolo, o infalível arqueiro de Zeus.
O enigma místico-científico da Física Quântica.
Pai Primordial !
Visto que vossa onipresença equivale à oniausência; terá êxito a rede lançada por Einstein e Hawking na árdua busca pelas vastidões horizontais do macro, ou vosso mistério é mais compatível com a micro via de Planck e Higgs, apesar de Heisenberg e Schrödinger?
Visto que vossa onipresença equivale à oniausência; terá êxito a rede lançada por Einstein e Hawking na árdua busca pelas vastidões horizontais do macro, ou vosso mistério é mais compatível com a micro via de Planck e Higgs, apesar de Heisenberg e Schrödinger?
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