A alavanca de Arquimedes

Nos confins da imensidão cósmica, "um pálido ponto azul" lança justa advertência aos seus próprios ocupantes.

Diferente da casa, mas semelhante ao navio, um corpo gravitacional não deve ser submetido à alteração de sua massa, sob pena de perdição.

Dentre miríades de corpos gravitacionais em órbita, nosso berço existencial é o planeta Terra. Constituído em um torrão de minerais aglutinados, seu porte massivo gravitacional em si não é expressivo, mas sua destinação é única! 

Até esse momento, conhecemos apenas a Terra como berço de sustentação de todas as formas de vida já conhecidas. Nosso pequeno planeta foi poupado de todas as adversidades que impossibilitam os fenômenos de sustentação da vida em todos os outros planetas conhecidos.

Essa nave sagrada que enquanto viaja orbitando o Sol, constitui nosso lar, não pode ser profanada através da alteração da sua própria massa gravitacional, onde preserva o cerne da sua identidade.

Se herdamos um navio para vivermos nele enquanto viajamos pelo espaço infinito, precisamos saber preservar rigorosamente sua massa específica.

Visando evitar o desastre, o comandante de um navio determina o correto deslocamento do lastro, conforme a alteração da carga. A cada alteração do posicionamento da carga, corresponderá um novo posicionamento do lastro.

 Quem comanda o navio chamado terra?

A prudência ou a ganância?

Enquanto que um navio flutua através do empuxo correspondente ao peso da água deslocada, um planeta se mantém em órbita através do equilíbrio entre a atração gravitacional recíproca e sua velocidade orbital.

No caso do planeta Terra orbitando a estrela chamada Sol, as circunstâncias da distribuição de sua massa resultaram nessa rigorosa especificidade que possibilita o estabelecimento das indispensáveis quatro distintas estações que definem o ano e os meses, com seus respectivos climas.

A volta total que a Terra exerce em torno do seu eixo norte-sul em vinte e quatro horas em seu movimento de rotação, corresponde a um dia.

Enquanto gira em torno do seu eixo imaginário, esse planeta se translada em torno do Sol, completando uma volta em cada período de um ano. Esses movimentos regulares mantidos por muitos séculos e influenciados pela nossa Lua enquanto satélite da Terra, possibilitaram toda essa exuberante presença de vida tão diversificada.

Movidos pela ganância irrefreada, estamos deslocando a massa específica do planeta Terra estabelecida pelas imensas jazidas minerais localizadas abaixo da linha do Equador. Ao invés de auferirmos lucros da engenhosa produção de manufaturados, estamos desmontando e vendendo as entranhas geoestruturais, constitutivas do próprio planeta.

O deslocamento colossal de assombrosos volumes de minerais densos como o ferro e o granito com suas respectivas massas específicas, provocará grave alteração no ângulo da atual inclinação do eixo, incompatível com a preservação do posicionamento atual do planeta perante o Sol.

Uma alteração expressiva no ângulo atual de inclinação do eixo, provocará correspondente tombamento do planeta, com o óbvio comprometimento de toda a estrutura climática atual. Sim, os humanos e toda a obra resultante dos seus penosos esforços civilisatórios se perderão!

Um novo posicionamento requer a sucessão de muitos séculos, até que as condições favoráveis à sustentação da vida sejam restabelecidas.

O planeta em si nada sofrerá, visto que continuará a orbitar o Sol e ser orbitado pela Lua, embora em ângulos de incidência incompatíveis com a sustentação das atuais formas de vida. Somente se sua massa absoluta fosse comprometida através do deslocamento irresponsável de quantidade significativa de minérios para fora do próprio planeta é que ele se perderia. Mas por enquanto, ainda não encontramos compradores de minerais para fora do planeta. 


 

2 comentários:

  1. Leonora Adissi Cordeiro28 de janeiro de 2024 às 09:51

    Concordo que a cada passa que damos ao ¨futuro¨ nos aproximamos do passado, onde nem a humanidade existia ....tudo irá se perder

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    1. Muito interessante essa sua observação.
      Sim, voltaremos ao inicio de tudo, conforme o Dilúvio narrado na Bíblia.
      Só que seremos devorados pelo fogo resultante do desequilíbrio do planeta em relação ao Sol.

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